
sexta-feira, 18 de julho de 2008
A Revolta do teatrinho enlatado!

quarta-feira, 16 de julho de 2008
Féééériiiiiiiaaaaaaasssssssss!!!!!!!!!

Zen e a Arte do Tiro com Arco
O meu mestre deu-me um arco muito rígido. Perguntei porque é que estava a começar a ensinar-me como se eu já fosse um profissional. Ele respondeu: "Aquele que começa com coisas fáceis, fica despreparado para os grandes desafios. É melhor saber logo que tipo de dificuldades vai encontrar no caminho."
Durante muito tempo, eu atirava sem conseguir abrir bem o arco, até que, um dia, o mestre me ensinou um exercício de respiração e tudo se tornou mais fácil. Perguntei porque demorara tanto para me corrigir. Ele respondeu: "Se, desde o início, eu te tivesse ensinado os exercícios respiratórios, acharias que eram desnecessários. Agora vais acreditar naquilo que eu te disse e vais praticar como se fosse realmente importante. Quem sabe educar, age assim."
O momento de soltar a flecha acontece de maneira instintiva, mas, primeiro, é preciso conhecer bem o arco, a flecha e o alvo. Nos desafios da vida, o golpe perfeito também usa a intuição; contudo, só nos podemos esquecer da técnica depois de a dominarmos completamente.
Passados quatro anos, quando eu já era capaz de dominar o arco, o mestre deu-me os parabéns. Eu fiquei contente e disse que já tinha chegado a metade do caminho. "Não", respondeu o mestre. "Para não caíres em armadilhas traiçoeiras, o melhor é considerares como metade do caminho o ponto que atinges depois de percorrer noventa por cento da estrada."»
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A Ética do Espectador

sexta-feira, 6 de junho de 2008
Stanislavski vs. Pedagogia Teatral Contemporânea
«Eis a ética stanislavkiana: a atenção a si, ao corpo, ao universo interior, à disciplina, ao companheiro, ao conjunto da obra teatral, implica uma transformação de si, contudo, com a finalidade de melhor exercitar a função de ator.
Gilberto Icle– Universidade Federal Rio Grande do Sul (Brasil)
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Grotowski e Ética

terça-feira, 13 de maio de 2008
A Gaivota - Anton Tchekov
Isto começou na noite em que a minha peça foi posta de rastos.”
(Acto II)
Irónico e premonitório o que Anton Tchékhov põe na boca de Treplev, personagem de A Gaivota, uma das maiores peças do dramaturgo russo. De facto, a peça viria a ser representada por uma companhia de Teatro clássico e seria, efectivamente, posta de rastos. A história de Treplev começava a assemelhar-se à de Tchékhov. Tal não será de estranhar, já que, quer um quer outro são escritores inovadores colocados numa sociedade inerte culturalmente que não admite o novo e idolatra o estabelecido.
Apreciar A Gaivota é, também, perceber a sua influência no teatro russo e mundial. Tchékhov não era o único a sentir a necessidade de uma revolução no Teatro russo. É desta necessidade que nasce, pela mão de dois dos maiores teóricos mundiais do Teatro, o Teatro Artístico de Moscovo. São eles Vladimir Nemiróvitch-Dântchenko e Constantin Stanislávki. Esta seria uma fundação histórica no Teatro russo e, não por acaso, o símbolo que escolheriam para o grupo viria a ser uma gaivota.
A Gaivota é uma peça de revolução. De revolução contra a concepção de Teatro em vigor na Rússia do final do século XIX; de revolução contra a apatia generalizada; de revolução contra os narodniks. Estes faziam o apanágio de uma vida pacata e tradicional na Rússia rural em oposição ao vício da cidade. É uma reacção a tudo isto, misturada com a necessidade de se opor ao classicismo ultrapassado do Teatro russo, que explicam a obra de Tchékhov.
A Gaivota é a metáfora disto mesmo por oposição de Treplev, o escritor novo, incompreendido e original, a Trigorine, o escritor tradicional, que se movimenta nas correntes artísticas conhecidas e é reconhecido. A desgraça e o desfecho previsivelmente trágico do primeiro face à opulência aparentemente plena de qualidade literária do segundo são o mote para uma comédia de costumes, que é no fundo um drama.
Um drama porque, como no resto da sua obra, Tchékov é mestre a criar uma atmosfera de vazio. Nada se passa, nada se pensa e nada se pode, nesta vida de província, pequenina, retrógrada, alimentadora do estabelecido que lhe chega da cidade. Não será um ambiente tão silenciante como em O Tio Vânia, mas trata-se do mesmo ambiente onde se cheira a inércia, talvez mais barulhenta pelo ruído das muitas pessoas que vagueiam pela casa.
Para além da concepção teatral, há também a oposição entre a representação clássica e um novo método que viria a ser estabelecido pelo Teatro Artístico de Moscovo (que representaria, com sucesso e aclamação, A Gaivota). Arkadina, mãe de Treplev, representa um Teatro ultrapassado, mas que ainda assim subsiste com sucesso, enquanto Nina representa a vontade de representar mal compreendida pelos valores vigentes. Tanto ela como Treplev são ainda sugados pelo ambiente rural que os impede de dar o salto convenientemente.
Tudo o resto, é puro Tchekhov a ser apreciado. Os silêncios, a inversão da lógica base da estrutura do texto teatral, a metáfora das personagens, a ironia mordaz do ambiente que cria, a critica social, a modernidade. Indispensável para qualquer amante do Teatro, pela sua importância histórica e pela modernidade textual.
Retirado de:
(Espaço de Crítica Artística - http://criticaartistica.blogspot.com/2006/11/gaivota.html)
terça-feira, 18 de março de 2008
Actuação
Vejam este gajo. Portuga, numa actuação humorística, com rigor e criatividade. Giro, para vermos outras linguagens!
segunda-feira, 3 de março de 2008
Oficina «A poesia entrou em cena...»
( Maio de 2008?)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
A disciplina de Voz

A disciplina de Voz está inserida no conjunto de disciplinas do curso de Artes do Espectáculo / Interpretação e surge com a necessidade de desenvolver um conhecimento sistemático e uma consciencialização artística da utilização da Voz como instrumento no fenómeno teatral. O aluno é motivado para um processo de auto conhecimento das suas potencialidades corporais já que, o estudo da voz está intimamente relacionado com o corpo enquanto raiz física do som.
A importância da palavra, do som e do texto em teatro fomentam o sentido da sensibilidade na comunicação. Enquanto integrando o pensamento, a emoção, os afectos, as sensações e pulsões passíveis da comunicação verbal, a voz é um instrumento essencial para o crescimento da estrutura artística do futuro actor.
Hoje, existe uma base científica para a técnica vocal. O conhecimento da ciência da voz desenvolveu-se muito nos últimos tempos e explica com clareza o funcionamento do aparelho fonador.
O actor é corpo, voz e sensibilidade. A voz é um poderoso instrumento de persuasão e marca indelével da nossa individualidade. Podemos adaptar um adágio popular e dizer ”Diz-me como falas, dir-te-ei quem és”. Tão importante quanto aquilo que se diz, é a forma como se diz. Antes de qualquer trabalho de técnica vocal, no sentido estrito, o aluno terá de ter a disponibilidade para poder trabalhar os aspectos afectivos da comunicação, quer seja ela verbal ou não verbal.
Na educação vocal, são utilizadas técnicas diferentes com vista a uma melhor produção sonora. A primeira abordagem passa pela reflexão do uso profissional da voz, da sua individualidade e características únicas. É feito um “rastreio” vocal com vista às necessidades particulares de cada aluno, onde se despistarão eventuais problemas, devidos a um mau uso da voz ou a problemas congénitos.
Numa primeira fase, é essencial conhecer o processo da emissão vocal, a importância da respiração diafragmático-abdominal e inter-costal. É imprescindível conhecer os mecanismos fisiológicos que envolvem a produção sonora. A preparação vocal implica o conhecimento dos mecanismos que a fonação envolve, como sejam a respiração, a intensidade, a altura o timbre e a articulação.
É premente que o aluno fique sensível à fisiologia, à fonética articulatória e acústica do “som“ da sua voz. Assim sendo, tem de saber utilizar harmoniosamente a voz, de acordo com as leis físicas e fisiológicas, tendo o aparelho muscular e fonético equilibrado, de forma a não existirem tensões nem relaxamentos exagerados. Deve saber utilizar o corpo da mesma forma que utiliza um instrumento musical.
Uma má técnica vocal, alicerçada numa má relação entre o escoamento do ar e a pressão dos órgãos fonadores, deteriora a qualidade vocal, causando tensões da glote e, necessariamente, uma voz velada e bocejada, sem brilho e projecção.
Será, então, utilizado todo um conjunto de exercícios com vista à plena utilização de uma respiração reforçada, apoiada no tórax, abdómem e inter-costais. Serão conhecidas as posturas desfavoráveis a uma boa emissão vocal bem como, todo um conjunto de práticas nocivas à manutenção de uma voz com qualidade, desde comportamentos de acção mecânica, uso de medicamentos e factores psicológicos.
O trabalho vocal é contínuo e exige persistência, exige “ginásio “ vocal: tem de ser interiorizado o domínio das técnicas de relaxamento corporal e a prática de exercícios vocais (vocalizos).
A energia adquirida durante a inspiração será transformada em energia sonora ao nível da laringe sendo também, veiculada a mensagem afectiva e articulada, produzida ao nível dos órgãos ressoadores (cabeça e peito) e órgãos de articulação fonética.
A articulação e as ressonâncias têm de ser coordenadas de forma a que a extensão e a dinâmica da voz resultem numa voz bem timbrada, com harmónicos e com uma intensidade e altura considerados ideais.
Serão prática constante os exercícios de inspiração plena, pelo recurso ao movimento livre do diafragma, abertura toráxica e pela libertação das costelas flutuantes. A colocação da laringe, sem reduzir a cavidade da faringe e o não tensionamento das cordas vocais envolvem a prática constante de exercícios destinados a esse efeito. A inspiração obtém-se pela maior abertura inter-costal, abaixamento do diafragma e por conseguinte, um ligeiro dilatar da zona abdominal. A expiração, tensão e abertura da glote por um lado, e o volume dos ressoadores por outro, são equilibrados de forma a evitar contracções excessivas ou desperdícios de fôlego, geradores de descoordenação ou de fadiga vocal. O abaixamento exagerado do maxilar e da pressão da base da língua sobre a laringe, um ângulo maxilar demasiadamente reduzido, uma tensão excessiva dos músculos vocais, o uso de uma respiração toráxica superior e ombros elevados têm de ser constantemente corrigidas.
A técnica correcta consiste num conjunto de exercícios vocais, cuidadosamente preparados em ordem progressiva, que permitirão a aquisição gradual de uma emissão sonora melhorada. A tessitura vocal será ampliada e igualada nos registos graves, médios e agudos. O aluno terá de saber usar a altura dos tons, dosear a sua intensidade, dinâmicas e volume. O recurso aos “vocalizos” tem por função exercitar e moldar a voz do actor e ou do cantor, através das progressões cromáticas ascendentes e descendentes, com formações de intervalos diferentes ou de motivos melódicos e rítmicos, visando desenvolver a respiração, a emissão do som, a articulação, o apoio, a ressonância e a projecção vocais.
Recorrendo aos textos teatrais trabalhados na disciplina de Interpretação e em Formação em Contexto de Trabalho, ter-se-á a oportunidade de se avaliar o uso de uma boa dicção e articulação, assim como também do enriquecimento interpretativo dos mesmos, pelo uso fluente de tons, do volume e projecção vocais.
A disciplina de Voz deve ser leccionada em estreita articulação com a disciplina de Interpretação e com a Formação em Contexto de Trabalho. Cabe a cada professor manter-se atento aos objectivos destas outras disciplinas, aproveitando todas as possibilidades de articulação no sentido de criar momentos de aprendizagem que motivem o aluno para a importância do treino e da articulação entre as várias vertentes práticas (interpretação – voz – movimento), do processo artístico, no âmbito do fenómeno teatral. Nesta perspectiva cabe ainda a cada professor, procurar, de acordo com as suas próprias características e formação e em cada contexto individual (aluno) e de grupo (turma), a melhor forma de alcançar os objectivos, sempre condicionados às orientações do projecto artístico da escola.
As competências a adquirir
Nesta disciplina, as competências, para além de serem uma aquisição de saberes específicos, são também e essencialmente, o desenvolvimento de uma consciência da necessidade de rigor, sensibilidade e emotividade artística que vão promover no aluno uma constante procura pelos seus limites artísticos ao longo da vida. Algumas das competências específicas a desenvolver são as seguintes:
- Conhecimento da voz e de si próprio
- Conhecimento dos elementos do grupo como materiais de aprendizagem
- Conhecimento e exploração da respiração e dos ressoadores
- Apuramento do ouvido, associado à flexibilidade vocálica e à entoação
- Utilização livre e global da voz
- Aprofundamento da noção de ritmo
- Reconhecimento e articulação dos sons e das ideias
- Correcção de problemas de articulação e dicção
- Domínio das técnicas vocais
A avaliação
A avaliação tem que forçosamente ter um carácter contínuo já que deve acompanhar a totalidade da aprendizagem da disciplina ao longo do tempo do curso. Haverá momentos de avaliação importantes que se reflectem na apresentação de exercícios vocais e que, para além de revelarem uma coerência projectual, também estimulam e promovem a aquisição e interiorização das aprendizagens. Contudo e por estarmos perante uma estrutura modular, devem realizar-se momentos de avaliação no final de cada módulo. Estes dão a conhecer ao aluno, de uma forma progressiva, indicação sobre o seu percurso na disciplina. Porque esta é uma disciplina da área profissional, também aqui é o aluno confrontado com as exigências reais da profissão de actor e por isso a assiduidade, pontualidade, participação, interesse, disciplina, rigor e sentido de responsabilidade, devem ser factores muito importantes no processo de avaliação. Os factores de criatividade e empenho são igualmente importantes. A capacidade de adesão a todo um trabalho de equipa e a capacidade de encontrar soluções de expressão artística para o trabalho proposto, são pontos fulcrais no processo de avaliação.
Retirado do Programa da Disciplina de Voz - Ministério da Educação
Responsável pelo Programa: Escola Profissional de Teatro de Cascais
Autores: Escola Profissional de Teatro de Cascais; Balleteatro; Academia Contemporânea do Espectáculo
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Trapézio
A vida é um trapézio...(ilustração de Carla Pott)
"Apanha" com nomes
Ficam sempre dois, que são os vencedores.
Este jogo trabalha a concentração, a atenção, a voz e a reacção.
(foto de Sónia Correia)
Colaborações para ética I
domingo, 10 de fevereiro de 2008
domingo, 27 de janeiro de 2008
Respiração Assistida I
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Lálálálálálá
Coisas bonitas que se podem fazer com a voz.
De notar que ambos os cantores são pré-adolescentes, o que quer dizer que as vozes deles ainda vão sofrer alterações (principalmente a do rapaz).
Independentemente disso, o que interessa aqui é a voz solta e o uso da respiração (eu diria que eles não fumam...).
Controlo da respiração

1. Respiração ventosa. Este tipo de respiração faz sons nas narinas.
2. Respiração irregular. Este tipo de respiração é quieto, mas é irregular e às vezes pára e começa.
3. Respiração não-refinada. Este tipo de respiração é quieto e regular, mas não é refinado. Não é tão confortável quando no quarto tipo de respiração.
4. Respiração correcta. Este tipo de respiração é quieto, regular, refinado, muito pacífico e agradável. Este tipo de respiração traz grande paz à mente e ao coração.
Este quarto tipo de respiração é mais rapidamente atingido, simplesmente observando a respiração. Se se tentar forçar a respirar ou a sentir-se de um certo modo, provavelmente falhará.
Controlar a respiração é obter domínio sobre as emoções. A respiração pode ser usada como um calmante natural.
Respirar é viver. Respirar correctamente é viver melhor. Através dos exercícios respiratórios, aprenderá a renovar as energias, a obter vitalidade e bem estar emocional.
Uma respiração completa é composta por três fases: abdominal ou diafragmática, toráxica e subclavicular.
Nascemos com a respiração abdominal. Observe um bebé. No entanto, muitos perdem esta respiração espontânea ao longo da vida, seja por questões posturais ou emocionais.
Aprender a respirar através do abdómen aumenta a sua capacidade respiratória e melhora a saúde em geral.
O diafragma é o músculo que divide o abdómen do tórax. Na aprendizagem da utilização da voz por actores, locutores e na arte do canto, ensina-se o domínio da respiração através do abdómen. O diafragma, por excelência, é o músculo da respiração. Numa respiração perfeita, inspira-se pelo abdómen e enche-se o tórax até atingir a região subclavicular (alto do peito). A expiração é o movimento inverso: alto do peito, tórax e abdómen.
Respiração Abdominal
Para reaprender a respirar correctamente pelo abdómen, recomenda-se que comece a praticar os exercícios deitado ou sentado. Portanto, deite-se, dobre as pernas com os pés separados e próximos das nádegas. Coloque as mãos sobre a barriga, em cima do umbigo. Inspire, sentindo a barriga subindo e expire, sentindo o abdómen descendo.
Se encontrar dificuldades, ponha um livro sobre o abdómen e brinque com ele, elevando-o e descendo-o várias vezes. Desta forma, activará o diafragma. Depois de algum tempo, fará este movimento sem o apoio do livro. A respiração estará correcta. Quando conseguir a espontaneidade do movimento, a sua respiração será satisfatória e produzirá em si uma sensação de calma.
(Este texto não é meu. Tirei-o de um site e, devido à hora tardia, copiei-o sem sacar o endereço, ou a referência. Agora não o consigo encontrar... O mesmo serve para o texto que se segue, «Descobrir a respiração». Sorry...)
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Descobrir a respiração
Coloque as suas mãos sobre a barriga. Pense que quer parecer mais magro e encolha a barriga; encolha-a mais ainda, solte-a completamente e a encolha novamente. Se conseguiu, acaba de achar o seu diafragma... Foi contraindo o diafragma que ficou mais magro. Preste atenção ao movimento de encolher a barriga; tente fazer o contrário, empurrando-a para fora. É justamente isso que precisará fazer, juntamente com a retenção do ar (eu sei que no começo "dói" um bocado, mas, para haver aperfeiçoamento, é necessário fazer exercícios como os descritos mais em baixo diariamente; é como se fosse uma ginástica, pois estamos a trabalhar com um músculo do nosso corpo). Tente agora inspirar lentamente e, com a entrada do ar, fazer esse mesmo "movimento com a barriga" (atenção: não é empurrar a barriga para a frente e depois inspirar; é inspirar, fazendo com que esse ar naturalmente empurre a barriga para frente). O que está a fazer é baixar o músculo do diafragma, permitindo com que os pulmões sejam cheios por completo de ar... Tente sentir o ar enchendo por completo os seus pulmões! Inspire, baixando o diafragma, e expire, relaxando-o... Muito bem, está a aprender a dominar o seu sistema respiratório e a aquecê-lo para uma correcta utilização...

Exercícios Básicos de Respiração
1) Inspirar lentamente, utilizando sempre a respiração diafragmática, e expirar lentamente, colocando as mãos, ora sobre a região abdominal (sobre a barriga), ora sobre a região costo-abdominal (sobre as costelas), percebendo a movimentação/expansão dessas regiões. Atenção para manter sempre o mesmo volume/intensidade de ar expirado, não oscile;
2) Inspirar, “reter/conter” esse ar por dez segundos, e expirar, provocando os sons: S, X, Z e F;
3) Repetir o exercício 2 e, ao expirar “com sons”, utilizar o Staccato;
4) Repetir o exercício 2 e, ao expirar “com sons”, realizar variações uniformes na intensidade (mais forte e mais fraco, soltando, respectivamente, mais ou menos ar).
OBSERVAÇÕES SOBRE OS EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO
Para fazer o exercício 2 deve-se "cerrar os dentes" (colocar os dentes juntos, pois o ar deve sair entre os dentes - ATENÇÃO: esteja consciente de qualquer tensão no maxilar ou nos lábios!). Tente prolongar ao máximo a duração dos sons produzidos; pouco a pouco, conseguirá aumentar a sua capacidade respiratória...
Para fazer o exercício 3: STACCATO = movimentos rápidos de contracção e relaxamento do diafragma. Lembre-se da ária da Rainha da Noite, da Flauta Mágica, de Mozart.
Para fazer o exercício 4: deve oscilar-se gradualmente a intensidade do ar expirado, do fraco para o forte, tentando manter um nível, como se fossem ondas que vão crescendo e quebrando, lentamente.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Provas Iniciais II
Em baixo, fica a lista dos textos e canções atribuídos por mim aos alunos:
Leitura:
«O fato novo do imperador» - Hans Christian Andersen
«A marioneta» - Johnny Welsch (texto falsamente atribuído a Gabriel García Márquez)
«Mahüra» - conto tradicional africano, transcrito por Patrícia Amaral
«Mocho comi» - conto popular português, transcrito por Teófilo Braga
«As componentes e as etapas do trabalho de actor» - Patrice Pavis
«O Menino da Lua e a Menina do Mar» - Kathy Silva
«O dia de receber pensão» - José Fanha
«O Sr. Director» - José Fanha
«Boa viagem, Sr. Presidente» (excerto) - Gabriel García Márquez
«Pedro Paulo Pereira Pires Pinto» - anónimo, a partir de um trava-línguas
«Ser ou não ser» - Shakespeare (Hamlet - excerto)
«Elogio ao amor» - Miguel Esteves Cardoso
Declamação:
«Mar Português - Fernando Pessoa (Mensagem)
«Cântico Negro» - José Régio (Poemas de Deus e do Diabo)
«Nau Catrineta» - Almeida Garrett (Romanceiro)
«Na idade dos porquês» - Alice Gomes
«Impressão digital» - António Gedeão
«Lágrima de preta» - António Gedeão
«O corvo e a raposa» - Bocage (tradução da fábula de La Fontaine)
«Amigo Frei João» - Bocage
«Amar dentro do peito uma donzela» - Bocage
«Liberdade» - Fernando Pessoa
«O guardador de rebanhos» (IX) - Alberto Caeiro
«Amigo» - Alexandre O'Neill
Canto:
«Balada das sete saias» - Trovante
«Jeremias, o fora-da-lei» - Jorge Palma
«A vida é feita de pequenos nadas» - Sérgio Godinho
«O charlatão» - Sérgio Godinho
«O Homem-Fantasma» - Sérgio Godinho
«O sopro do coração» - Clã
«Barca bela» - Teresa Silva Carvalho
«Desfolhada» - Simone de Oliveira
«Tourada» - Fernando Tordo
«Cavalo à solta» - Fernando Tordo
«Pedra Filosofal» - Manuel Freire
«À ribeira Mota» - Raul Indipwo
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Observatório do Algarve 29-10-2007

29-10-2007 8:00:00
Chegam de todos os cantos do Algarve. Levantaram-se às quatro, cinco, seis da manhã. Mas, chegados à escola, recebem uma injecção de energia à prova de sono num curso de actores em Faro. Ainda madrugada, correm atrás de um sonho.
“Quando soube que tinha entrado, senti-me a pessoa mais feliz do planeta”. A frase, pouco comum num jovem que acabou de chegar ao 10º ano apenas porque lá chegou, exprime bem o clima quase eufórico em que vivem os 25 alunos de Artes do Espectáculo da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro, que este ano estreou aquele plano de estudos.
Desde meados de Setembro que têm aulas práticas de interpretação, movimento e voz, a que se juntam as mais teóricas disciplinas de História e Cultura da Arte, Psicologia e outras, de um tronco mais comum, como Português e Informática.
Em todo o Algarve é o único curso profissional destinado a jovens que acabaram o 9º ano e querem pisar um palco e daí que muitos cheguem de longe para perseguir a sua quimera. De Alte, Quarteira, Albufeira, Vila Real de Santo António. Durante três anos aprenderão com actores, encenadores e outros formadores ligados ao meio artístico as subtilezas da interpretação e do movimento cénico.
A autora da frase acima, Sónia Correia, 20 anos, que jura sentir-se ainda a pessoa mais feliz do planeta, sonha aproveitar a equivalência ao 12º ano para dar o salto até ao Conservatório de Lisboa, mas tem consciência da “despesa que isso daria” aos pais e acaba por travar a ambição. “Talvez só se recebesse uma proposta, sei lá”, hesita, remetendo a decisão para a infinidade de três anos que dura o curso.
Para correr atrás do imenso desejo de ser actriz, Sónia trabalhou seis meses num supermercado da cidade onde vive, Vila Real de Santo António, amealhando o ordenado mensal de 450 euros, e estava disposta a arriscar tudo, chegou a ir a Cascais para se matricular num curso com as mesmas características do que agora frequenta.
Falar com o chapéu
“Já tinha apalavrado um quarto por 200 euros”, explica, não escondendo que as dificuldades da saída cedo se transformaram em revolta: “Porque é que temos que sair do Algarve para ser actores?!”, perguntava ela, numa carta que dirigiu à ACTA em Maio passado à qual nunca esperou que a companhia de teatro algarvia respondesse.
Mas respondeu. E foi aí que a pretendente a actriz soube que o seu sonho não tinha forçosamente que ser perseguido a 300 quilómetros de distância. “Fui a primeira a saber, logo em Junho, e depois fui a primeira a matricular-me, era mesmo isto que eu queria”, vinca a jovem, com um sorriso rasgado.
Durante as primeiras semanas de aulas, Sónia levantava-se todos os dias às quatro da manhã, obrigava o pai a sair de lençóis de propósito para a levar à estação, apanhava o comboio das 5:47, chegava a Faro e ia de “minibus” ou atravessava a cidade a pé para chegar à escola, no fim do bairro da Penha. Só retornava a casa às nove, outra vez noite fechada, para jantar e regressar à cama, sem direito a TV.
“Agora estou temporariamente em casa de uma tia em Faro e levanto-me às 6:30, para sair de casa às 7:30”, afirma Sónia, que nunca vacilou na decisão e jura que há-de ser actriz, “aqui ou em Lisboa”.
César Matoso, 16 anos, fica-se um degrau abaixo na escadaria das convicções: “Sei que quero pisar o palco, isso de certeza. Agora se para ser actor ou cantor, ainda não decidi”, duvida, ele que já participou em festivais juvenis na zona central do Algarve.
Momentos antes, em plena aula de voz, o rapaz de Alte (Loulé) explicava a um chapéu que tinha na mão que “Então, /Bate, bate coração/Louco, louco de ilusão/A idade assim não tem valor”, como se o chapéu fosse um amigo, em plena esplanada, a quem se conta a história engendrada por Carlos Paião.
Trocar a calculadora pelo palco
“Tens que sorrir, mesmo que ninguém esteja a olhar para ti, tem que se perceber que estás a sorrir”, explicava a actriz Patrícia Amaral (Tixa) ao moço de Alte que das primeiras vezes teimava em se concentrar mais na própria voz do que nos meandros da história em forma de canção.
Para estar na escola às 8:30, César tem que se levantar às 6:00 e, ainda noite cerrada, encetar a caminhada que o levará de um dos extremos da aldeia até à estrada nacional, onde apanhará o autocarro para Faro.
“Isto é muitíssimo cansativo”, reconhece o jovem, que confessa que, quando a fadiga ascende, “pondera” se, no fim, valerá a pena. Mas logo ressalva que, depois de umas aulinhas práticas, “nem que fosse o dobro do trabalho”, ainda assim valeria a pena.
Muito apoiado pelos pais, ambos animadores de infância em Alte, César esclarece que, no fim do curso, “gostava de ir e voltar” à capital, para aprender, mas não sabe ainda se terá pernas para o Conservatório. Até porque não sabe se chegará a actor ou, como Paião, contará histórias em forma de cantiga.
Se não estivesse no curso profissional da Pinheiro e Rosa, Iuri Rosa, 18 anos, andaria em administração, na Tomás Cabreira, mas, reconhece, muito menos feliz. Afinal, o curso arrebatou-o a sebentas e calculadoras e aproximou-o do mundo da música em que se mexe nas horas vagas, quando compõe música hip-hop.
“O meu sonho era ir para Lisboa, mas quanto ao Conservatório já não sei”, vacila o rapaz de Estói que acorda às 6:30 para chegar à paragem às 7:00, a tempo de apanhar o autocarro.
Com tão pouco tempo de dormida, reconhece que por vezes lhe dá o sono, sobretudo depois de almoço, mas logo as aulas práticas – as que lhe dizem mais –, estrategicamente distribuídas depois do almoço, se encarregam de o espevitar.
Iniciado este ano em exclusivo na secundária Pinheiro e Rosa, o curso de “Técnico de Artes do Espectáculo” deverá sofrer uma pausa no próximo ano lectivo. Em seu lugar, serão formados técnicos de luz e cenografia.Para já, durante os próximos três anos lectivos, 25 jovens provenientes das várias “margens”, campos e cidades do Algarve, chegam à capital “com um búzio nos olhos claros”, como no poema de Maria Rosa Colaço musicado pelos Trovante.
domingo, 28 de outubro de 2007
Provas Iniciais
Exercício de dicção
1ª leitura
Leitura batida lenta de sílabas. Lê-se sílaba a sílaba, sem ligar à pontuação, ou à expressividade. Bate-se cada sílaba, exagerando a movimentação da boca: E-RA-U-MA-VEZ-O-ME-NI-NO-DA-LU-A-QUE-E-RA-UM-ME-NI-NO-QUE-VI-VI--NA-LU-A-E-QUE-NÃO-CO-NHE-CIA-MAIS-NA-DA-SEM-SER-A-LU-A-E-RA-U-MA-VEZ-E-ME-NI-NA-DO-MAR... O objectivo desta leitura é conhecer sílaba a sílaba e resolver problemas de específicos de dicção.
2ª leitura
Igual à primeira, mas rápida. Atenção: acelerar o máximo, dentro das regras de dicção e da clareza. A tendência, ao início, é correr pelas sílabas. O objectivo é treinar a musculatura dos articuladores, para que possam dizer frases rápidas com toda a clareza.
3ª leitura
Leitura expressiva. Ler o texto, agora respeitando a entoação, pontuação e expressividade, não descurando as normas de dicção trabalhadas nas leituras anteriores.
Quando aplicamos este exercício a textos que vamos ler ou dizer, os resultados são notórios, especialmente se o exercício for, nos primeiros momentos, acompanhado por um orientador, que não nos deixe cair em erros repetitivos. Faz-nos conhecer intrinsecamente a estrutura do texto (literalmente, sílaba a sílaba), a sequência das frases e as "zonas de perigo", bem como é excelente para ajudar a decorar!
Azazazazuis
MAS se for seguida de palavra começada por vogal, passa a z: azazazazuij.
Outros exemplos:
eraumavezummenino
nãosejazassim
maizoumenoj
todozozindícioj
Para os algarvios, a manutenção da fricatização final faz parte da idiossincrasia linguística regional, o que exige alguma atenção, na hora de contraiar esta tendência. Para exercitar isto, veja o exercício das 3 leituras. Um truque: leia o texto e identifique todos estes casos. Saliente-os, da forma que melhor se adaptar a si, com marcas escritas. Desta forma, quando for ler o texto, é avisado da aproximação destas "zonas de perigo". Com o tempo, esta e outras normas de dicção corrente acabarão por serem assimiladas pelo seu cérebro e pela sua musculatura, tornando-se parte dos seus hábitos, e não terá de se preocupar mais com elas.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Setembro de 2004

Aqui, estou a contar a Sheherazade.
sábado, 20 de outubro de 2007
Considerações sobre Teatro I


Mais Cordas Vocais

Aparelho Fonador

1 - Traqueia
2 - Laringe
3 - Pregas ou Cordas Vocais
4 - Faringe
5 - Cavidade Oral
6 - Cavidade Nasal
7 - Palato Mole
8 - Dentes
9 - Língua
10 - Lábios
11 - Palato Duro
Ausentes da figura - Pulmões
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Cordas ou pregas vocais
E aí estão elas!
As nossas pregas vocais! São lindas, não são?
NOTA: esófago, na figura abaixo, tem acento circunflexo, porque é Português do Brasil.

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Mais do que isso, Dizer Falar Contar pretende ser uma ferramenta de apoio on-line aos meus alunos de Voz, que estão agora a dar os primeiros e tímidos passos no maravilhoso mundo da Voz.
Amigos, isto é para vocês!

