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sábado, 4 de outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ópera de Pequim

































Este espectáculo é considerado um tesouro nacional da China com uma história de mais 200 anos. Foi formada num período de 50 anos, através da combinação de diversas companhias de Ópera, dando origem à actual Ópera de Pequim, a maior e mais fascinante existente na China, cuja riqueza do reportório e enorme quantidade de performers envolvidos nos espectáculos transformou-a num das maiores actividades culturais da China.


A Ópera de Pequim é a combinação de movimentos estilizados, cantos, diálogos e mímica, acrobacias, lutas e dança, como forma de representar a a história e sentimentos de diversas personagens quotidianas: as suas fúrias, tristezas, alegrias, surpresas, medos...

Neste espectáculo há quatro principais personagens-tipo: sheng (masculino), dan (rapariga nova), jing (cara pintada, masculino) e chou (palhaço, masculino ou feminino). As personagens podem ser desde traiçoeiras ou leais, belas ou feias, boas ou más. As suas características são explicitamente evidenciadas...

O repertório da Ópera de Pequim anda à volta de temas sobre tempos remotos, importantes eventos históricos, sobre imperadores, ministros e generais. A performance é acompanhada por músicas tocadas por flautas, instrumentos de percursão e vários instrumentos de cordas: o being jinghu (com duas cordas e uma grande caixa de ressonância), o yueqin (quatro cordas, com uma caixa redonda), anxian (de três cordas), a suona, gongos, e outros instrumentos de percussão.

O guarda-roupa é extraordinariamente luxuoso e exuberante, o que, a par das pinturas faciais, torna este espectáculo único e deslumbrante.
Ver:
(procurar, no Youtube, por Beijing Opera)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Zen e a Arte do Tiro com Arco


O texto que se segue é composto por trechos da obra Zen e a Arte de Tiro com Arco (E. Herrigel, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997). Pode ser aplicado a quase tudo na vida mas, aqui, vamos fazer a ligação com a preparação e processo de formação do actor/artista.


«No momento de manter a tensão, ela deve ser concentrada apenas naquilo que precisa de usar; de resto, economize as suas energias, aprenda (com o arco) que, para se atingir algo, não é necessário fazer um movimento gigantesco, mas focalizar o seu objectivo.


O meu mestre deu-me um arco muito rígido. Perguntei porque é que estava a começar a ensinar-me como se eu já fosse um profissional. Ele respondeu: "Aquele que começa com coisas fáceis, fica despreparado para os grandes desafios. É melhor saber logo que tipo de dificuldades vai encontrar no caminho."


Durante muito tempo, eu atirava sem conseguir abrir bem o arco, até que, um dia, o mestre me ensinou um exercício de respiração e tudo se tornou mais fácil. Perguntei porque demorara tanto para me corrigir. Ele respondeu: "Se, desde o início, eu te tivesse ensinado os exercícios respiratórios, acharias que eram desnecessários. Agora vais acreditar naquilo que eu te disse e vais praticar como se fosse realmente importante. Quem sabe educar, age assim."


O momento de soltar a flecha acontece de maneira instintiva, mas, primeiro, é preciso conhecer bem o arco, a flecha e o alvo. Nos desafios da vida, o golpe perfeito também usa a intuição; contudo, só nos podemos esquecer da técnica depois de a dominarmos completamente.


Passados quatro anos, quando eu já era capaz de dominar o arco, o mestre deu-me os parabéns. Eu fiquei contente e disse que já tinha chegado a metade do caminho. "Não", respondeu o mestre. "Para não caíres em armadilhas traiçoeiras, o melhor é considerares como metade do caminho o ponto que atinges depois de percorrer noventa por cento da estrada."»
Nota extra:
Um dos símbolos do budismo é a Flor de Lótus (tentei, mas não consegui inserir aqui uma imagem - voltarei a tentar, mais tarde). A Flor de Lótus representa aquilo que nasce em espaços lamacentos e estagnados, mas que se desenvolve em delicadeza e beleza. É a beleza na lama, a capacidade de transformar a fealdade em beleza.