quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Provas Iniciais II

Foram já prestadas as primeiras provas: leitura e declamação. Não vou comentar aqui os resultados, pelo menos para já...


Em baixo, fica a lista dos textos e canções atribuídos por mim aos alunos:


Leitura:

«O fato novo do imperador» - Hans Christian Andersen
«A marioneta» - Johnny Welsch (texto falsamente atribuído a Gabriel García Márquez)
«Mahüra» - conto tradicional africano, transcrito por Patrícia Amaral
«Mocho comi» - conto popular português, transcrito por Teófilo Braga
«As componentes e as etapas do trabalho de actor» - Patrice Pavis
«O Menino da Lua e a Menina do Mar» - Kathy Silva
«O dia de receber pensão» - José Fanha
«O Sr. Director» - José Fanha
«Boa viagem, Sr. Presidente» (excerto) - Gabriel García Márquez
«Pedro Paulo Pereira Pires Pinto» - anónimo, a partir de um trava-línguas
«Ser ou não ser» - Shakespeare (Hamlet - excerto)
«Elogio ao amor» - Miguel Esteves Cardoso


Declamação:

«Mar Português - Fernando Pessoa (Mensagem)
«Cântico Negro» - José Régio (Poemas de Deus e do Diabo)
«Nau Catrineta» - Almeida Garrett (Romanceiro)
«Na idade dos porquês» - Alice Gomes
«Impressão digital» - António Gedeão
«Lágrima de preta» - António Gedeão
«O corvo e a raposa» - Bocage (tradução da fábula de La Fontaine)
«Amigo Frei João» - Bocage
«Amar dentro do peito uma donzela» - Bocage
«Liberdade» - Fernando Pessoa
«O guardador de rebanhos» (IX) - Alberto Caeiro
«Amigo» - Alexandre O'Neill

Canto:

«Balada das sete saias» - Trovante
«Jeremias, o fora-da-lei» - Jorge Palma
«A vida é feita de pequenos nadas» - Sérgio Godinho
«O charlatão» - Sérgio Godinho
«O Homem-Fantasma» - Sérgio Godinho
«O sopro do coração» - Clã
«Barca bela» - Teresa Silva Carvalho
«Desfolhada» - Simone de Oliveira
«Tourada» - Fernando Tordo
«Cavalo à solta» - Fernando Tordo
«Pedra Filosofal» - Manuel Freire
«À ribeira Mota» - Raul Indipwo

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Observatório do Algarve 29-10-2007











Os madrugadores do Sonho
29-10-2007 8:00:00


Chegam de todos os cantos do Algarve. Levantaram-se às quatro, cinco, seis da manhã. Mas, chegados à escola, recebem uma injecção de energia à prova de sono num curso de actores em Faro. Ainda madrugada, correm atrás de um sonho.





“Quando soube que tinha entrado, senti-me a pessoa mais feliz do planeta”. A frase, pouco comum num jovem que acabou de chegar ao 10º ano apenas porque lá chegou, exprime bem o clima quase eufórico em que vivem os 25 alunos de Artes do Espectáculo da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro, que este ano estreou aquele plano de estudos.





Desde meados de Setembro que têm aulas práticas de interpretação, movimento e voz, a que se juntam as mais teóricas disciplinas de História e Cultura da Arte, Psicologia e outras, de um tronco mais comum, como Português e Informática.




Em todo o Algarve é o único curso profissional destinado a jovens que acabaram o 9º ano e querem pisar um palco e daí que muitos cheguem de longe para perseguir a sua quimera. De Alte, Quarteira, Albufeira, Vila Real de Santo António. Durante três anos aprenderão com actores, encenadores e outros formadores ligados ao meio artístico as subtilezas da interpretação e do movimento cénico.




A autora da frase acima, Sónia Correia, 20 anos, que jura sentir-se ainda a pessoa mais feliz do planeta, sonha aproveitar a equivalência ao 12º ano para dar o salto até ao Conservatório de Lisboa, mas tem consciência da “despesa que isso daria” aos pais e acaba por travar a ambição. “Talvez só se recebesse uma proposta, sei lá”, hesita, remetendo a decisão para a infinidade de três anos que dura o curso.




Para correr atrás do imenso desejo de ser actriz, Sónia trabalhou seis meses num supermercado da cidade onde vive, Vila Real de Santo António, amealhando o ordenado mensal de 450 euros, e estava disposta a arriscar tudo, chegou a ir a Cascais para se matricular num curso com as mesmas características do que agora frequenta.



Falar com o chapéu




“Já tinha apalavrado um quarto por 200 euros”, explica, não escondendo que as dificuldades da saída cedo se transformaram em revolta: “Porque é que temos que sair do Algarve para ser actores?!”, perguntava ela, numa carta que dirigiu à ACTA em Maio passado à qual nunca esperou que a companhia de teatro algarvia respondesse.




Mas respondeu. E foi aí que a pretendente a actriz soube que o seu sonho não tinha forçosamente que ser perseguido a 300 quilómetros de distância. “Fui a primeira a saber, logo em Junho, e depois fui a primeira a matricular-me, era mesmo isto que eu queria”, vinca a jovem, com um sorriso rasgado.
Durante as primeiras semanas de aulas, Sónia levantava-se todos os dias às quatro da manhã, obrigava o pai a sair de lençóis de propósito para a levar à estação, apanhava o comboio das 5:47, chegava a Faro e ia de “minibus” ou atravessava a cidade a pé para chegar à escola, no fim do bairro da Penha. Só retornava a casa às nove, outra vez noite fechada, para jantar e regressar à cama, sem direito a TV.




“Agora estou temporariamente em casa de uma tia em Faro e levanto-me às 6:30, para sair de casa às 7:30”, afirma Sónia, que nunca vacilou na decisão e jura que há-de ser actriz, “aqui ou em Lisboa”.




César Matoso, 16 anos, fica-se um degrau abaixo na escadaria das convicções: “Sei que quero pisar o palco, isso de certeza. Agora se para ser actor ou cantor, ainda não decidi”, duvida, ele que já participou em festivais juvenis na zona central do Algarve.




Momentos antes, em plena aula de voz, o rapaz de Alte (Loulé) explicava a um chapéu que tinha na mão que “Então, /Bate, bate coração/Louco, louco de ilusão/A idade assim não tem valor”, como se o chapéu fosse um amigo, em plena esplanada, a quem se conta a história engendrada por Carlos Paião.




Trocar a calculadora pelo palco



“Tens que sorrir, mesmo que ninguém esteja a olhar para ti, tem que se perceber que estás a sorrir”, explicava a actriz Patrícia Amaral (Tixa) ao moço de Alte que das primeiras vezes teimava em se concentrar mais na própria voz do que nos meandros da história em forma de canção.




Para estar na escola às 8:30, César tem que se levantar às 6:00 e, ainda noite cerrada, encetar a caminhada que o levará de um dos extremos da aldeia até à estrada nacional, onde apanhará o autocarro para Faro.




“Isto é muitíssimo cansativo”, reconhece o jovem, que confessa que, quando a fadiga ascende, “pondera” se, no fim, valerá a pena. Mas logo ressalva que, depois de umas aulinhas práticas, “nem que fosse o dobro do trabalho”, ainda assim valeria a pena.




Muito apoiado pelos pais, ambos animadores de infância em Alte, César esclarece que, no fim do curso, “gostava de ir e voltar” à capital, para aprender, mas não sabe ainda se terá pernas para o Conservatório. Até porque não sabe se chegará a actor ou, como Paião, contará histórias em forma de cantiga.




Se não estivesse no curso profissional da Pinheiro e Rosa, Iuri Rosa, 18 anos, andaria em administração, na Tomás Cabreira, mas, reconhece, muito menos feliz. Afinal, o curso arrebatou-o a sebentas e calculadoras e aproximou-o do mundo da música em que se mexe nas horas vagas, quando compõe música hip-hop.




“O meu sonho era ir para Lisboa, mas quanto ao Conservatório já não sei”, vacila o rapaz de Estói que acorda às 6:30 para chegar à paragem às 7:00, a tempo de apanhar o autocarro.




Com tão pouco tempo de dormida, reconhece que por vezes lhe dá o sono, sobretudo depois de almoço, mas logo as aulas práticas – as que lhe dizem mais –, estrategicamente distribuídas depois do almoço, se encarregam de o espevitar.




Iniciado este ano em exclusivo na secundária Pinheiro e Rosa, o curso de “Técnico de Artes do Espectáculo” deverá sofrer uma pausa no próximo ano lectivo. Em seu lugar, serão formados técnicos de luz e cenografia.Para já, durante os próximos três anos lectivos, 25 jovens provenientes das várias “margens”, campos e cidades do Algarve, chegam à capital “com um búzio nos olhos claros”, como no poema de Maria Rosa Colaço musicado pelos Trovante.

João Prudêncio

domingo, 28 de outubro de 2007

Provas Iniciais

Pois é.
Todos os alunos de Voz vão ter de prestar Provas Iniciais. As Provas serão filmadas e comentadas. No fim do ano (ou até a meio do ano...) vamos repeti-las, para ver se houve evolução.
É que, para mim, o que conta é o empenho, o rigor, a disciplina e a concentração. Um aluno médio ou fraco que trabalhe e evolua tem mais hipótese de vingar na carreira de actor do que aquele que, à partida, é mais forte, mas que pouco ou nada se esforça. O talento natural é algo que deve ser trabalhado, para que se possam superar constantemente os limites, não algo a que nos acomodamos.
Assim sendo, são estas as provas a prestar:
1: Leitura - ler um texto (escolhido por mim) de forma expressiva, respeitando as normas de dicção e respiração.
2: Declamação - dizer um texto (também escolhido por mim) de forma expressiva, previamente decorado, respeitando as normas de dicção e respiração.
3: Canto I - cantar uma canção em língua portuguesa, escolhida por mim, tendo em conta a dicção, a respiração e a interpretação.
4: Canto II - cantar uma canção em língua portuguesa, escolhida pelo próprio aluno, tendo em conta a dicção, a respiração e a interpretação.
5: Reflexão escrita - apresentar, uma semana depois das provas prestadas, uma reflexão escrita sobre o processo de preparação das Provas (dificuldades, facilidades, estratégias, caminhos, vitórias, objectivos cumpridos e não cumpridos, etc.)
É verdade, isto de se querer ser actor não é fácil. A questão é que passar por um processo destes (trabalhoso, stressante, às vezes doloroso) é extremamente enriquecedor. Somos confrontados com as nossas limitações, mas também com as nossas qualidades (muitas delas, desconhecidas até ao momento).
Como disse aos meus alunos, estas Provas não se destinam a avaliar talentos, mas sim a diagnosticar estados brutos e, sim, avaliar, mas a atitude, o empenho e a reacção a uma tarefa destas.
Amanhã, 29 de Outubro, vão ser prestadas as provas de Leitura e Declamação, pelo Turno 2. No dia seguinte, 30 de Outubro, é a vez do Turno 1 subir ao "palco" destas "audições".
Para a semana, nos dias 5 e 6 de Novembro, serão prestadas as provas de Canto.
E, finalmente, nos dias 12 e 13 de Novembro, os alunos entregarão (sem qualquer possibilidade de adiamento) as Reflexões Escritas.
Um bom trabalho para todos! Estou muito curiosa!

Exercício de dicção

As 3 leituras


Este é um exercício excelente para exercitar a dicção, especialmente num dado texto, que se quer trabalhar para se dizer/ ler. É importante conhecer-se previamente as normas básicas de dicção (controlo das sibilantes e das guturais, junção de palavras, etc.), para que não se calcifiquem erros, em vez de os eliminar. Importante, também, aproveitar para trabalhar a respiração.


1ª leitura

Leitura batida lenta de sílabas. Lê-se sílaba a sílaba, sem ligar à pontuação, ou à expressividade. Bate-se cada sílaba, exagerando a movimentação da boca: E-RA-U-MA-VEZ-O-ME-NI-NO-DA-LU-A-QUE-E-RA-UM-ME-NI-NO-QUE-VI-VI--NA-LU-A-E-QUE-NÃO-CO-NHE-CIA-MAIS-NA-DA-SEM-SER-A-LU-A-E-RA-U-MA-VEZ-E-ME-NI-NA-DO-MAR... O objectivo desta leitura é conhecer sílaba a sílaba e resolver problemas de específicos de dicção.


2ª leitura

Igual à primeira, mas rápida. Atenção: acelerar o máximo, dentro das regras de dicção e da clareza. A tendência, ao início, é correr pelas sílabas. O objectivo é treinar a musculatura dos articuladores, para que possam dizer frases rápidas com toda a clareza.


3ª leitura

Leitura expressiva. Ler o texto, agora respeitando a entoação, pontuação e expressividade, não descurando as normas de dicção trabalhadas nas leituras anteriores.


Quando aplicamos este exercício a textos que vamos ler ou dizer, os resultados são notórios, especialmente se o exercício for, nos primeiros momentos, acompanhado por um orientador, que não nos deixe cair em erros repetitivos. Faz-nos conhecer intrinsecamente a estrutura do texto (literalmente, sílaba a sílaba), a sequência das frases e as "zonas de perigo", bem como é excelente para ajudar a decorar!

Azazazazuis

Em português, quando uma palavra termina em sibilante s ou z, esta é, habitualmente, fricatizada: aj; asaj; azuij.

MAS se for seguida de palavra começada por vogal, passa a z: azazazazuij.

Outros exemplos:
eraumavezummenino
nãosejazassim
maizoumenoj
todozozindícioj

Para os algarvios, a manutenção da fricatização final faz parte da idiossincrasia linguística regional, o que exige alguma atenção, na hora de contraiar esta tendência. Para exercitar isto, veja o exercício das 3 leituras. Um truque: leia o texto e identifique todos estes casos. Saliente-os, da forma que melhor se adaptar a si, com marcas escritas. Desta forma, quando for ler o texto, é avisado da aproximação destas "zonas de perigo". Com o tempo, esta e outras normas de dicção corrente acabarão por serem assimiladas pelo seu cérebro e pela sua musculatura, tornando-se parte dos seus hábitos, e não terá de se preocupar mais com elas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Setembro de 2004


Teatro Lethes: «Vamos contar-lhe histórias! - Parte I»

Uma de duas noites em que os contadores de histórias tomaram conta do palco do Lethes. Houve lobos e capuchinhos à solta e até o fantasma da bailarina se veio sentar na plateia, para ouvir a sua própria história!

Aqui, estou a contar a Sheherazade.


sábado, 20 de outubro de 2007

Considerações sobre Teatro I



«Afinal, o teatro, onde tudo começa, baseia-se num jogo de engano mútuo. O actor finge ser alguém que não é e o público suspende voluntariamente a sua descrença. É um jogo de confiança, no qual as duas partes correm o risco de sofrer a humilhação de fazerem papel de parvas. Ao partir do princípio de que o público lhe concederá o tempo e a atenção necessários para desenvolver a sua arte, o actor torna-se vulnerável à atrapalhação do fracasso. Em troca, o público depende dos dotes do actor para não se sentir idiota por ter acreditado. Quando é bem negociado, toda a gente pode ganhar com este contrato. A recompensa é aproximadamente uma hora de pensamento colectivo mágico – e inofensivo.»





«Tal como na vida real e independentemente do cenário, uma representação resume-se a uma série de opções, cada uma das quais condiciona a seguinte. Por mais inesperado que seja, tudo o que sucede enquanto esta dura – um acessório perdido, outro actor que, inexplicavelmente, se afasta do guião e começa a improvisar, ou até as paredes do cenário a desabarem sobre o palco – tem de ser integrado. De outro modo, mais vale descer já o pano.»


Michael J. Fox, Um homem de sorte, Lisboa, Ed. Bizâncio, 2002




Uma viagem bastante completa pelo mundo do Teatro (em Português do Brasil):

Mais Cordas Vocais




Não, não é um fetiche. Gosto destas miúdas, pá! Se não fossem elas, como é que eu contava histórias? Como é que eu namorava ao telefone? Como é que eu dizia palavrões, quando preciso? Como é que eu gritava para avisar alguém de perigo? Como é que eu dava nas orelhas aos meus alunos? Como é que...




Ok, vou parar. Mas vejam lá se não são lindas! Tão... Femininas... ;)







Aparelho Fonador



1 - Traqueia

2 - Laringe

3 - Pregas ou Cordas Vocais

4 - Faringe

5 - Cavidade Oral

6 - Cavidade Nasal

7 - Palato Mole

8 - Dentes

9 - Língua

10 - Lábios

11 - Palato Duro

Ausentes da figura - Pulmões

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Cordas ou pregas vocais


E aí estão elas!




As nossas pregas vocais! São lindas, não são?


Abertas durante a respiração e vibrantes durante a fonação, como a boca de um balão!



NOTA: esófago, na figura abaixo, tem acento circunflexo, porque é Português do Brasil.



Dizer | Falar | Contar

Dizer Falar Contar gostaria de ser um blog de partilha de tudo o que tenha a ver com a voz humana: técnicas, exercícios, emoções, coisas a dizer, relações pessoais com a voz...

Mais do que isso, Dizer Falar Contar pretende ser uma ferramenta de apoio on-line aos meus alunos de Voz, que estão agora a dar os primeiros e tímidos passos no maravilhoso mundo da Voz.

Amigos, isto é para vocês!